segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A PRISÃO




A razão é a prisão da emoção
Pois aborta a prima questão:
Por que fazer a questão?
Contenta-se com aquilo,
Que olhos sem brilho
Conseguem alcançar
A custa do novo,
Pelo sacrifício do criar,
Em ritual consumado
Em seu dourado altar.

A razão é a prisão da emoção
E da alma
Reduz a existência entre sim e não
Deletando o talvez
Pois o caminho apenas bifurcar-se-á
Numa maniqueísta composição
Onde mocinho e bandido nunca serão facetas
De uma mesma face cunhada
No metal que pondera
Quanto vale cada ser.

A razão é a prisão da emoção
E do amor
Pois este não se delimita.
Nem se tolhe.
Deixa-o crescer, alastrar-se
Tal como a erva daninha,
Mas sem os malefícios dessa,
Dado que o primeiro,
Em sua essência simbiótica
Jamais parasitará,
Contribuindo para o engrandecimento da existência
Daqueles com os quais envolver-se-á.

A razão é a prisão!
Que nos rouba a essência,
Dia-a-dia,
Pouco-a-pouco.
Endurece o ser para a flor,
Para a chuva que cai,
Para o mar sem fim.
Torna a alegria pueril
Em crise de meia idade.
Tornando-nos hóspedes compulsórios,
Desta interior prisão sem muros
A qual nominamos
Razão.




sexta-feira, 20 de setembro de 2013

UM TAL CAFONA ROMÂNTICO



'Esse cafona romântico...'
Começaria, assim, a discorrer sobre mim
Pois é o que sou!
Um sonhador incorrigível,
Talvez um louco desvairado,
Que não se enquadra, de certo,
Nesse mundo tão virtualizado.

Amo a vida a dois,
Apesar de andar maldizendo o amor,
Com seus múltiplos problemas
E infinitas alegrias
A rotina maçante
Mas que também dá previsibilidade à vida.
Ai, Deus! Como curo essa ansiedade
Por antecipar o que está nas entrelinhas?
Consulto os oráculos, cartomantes?
Ou apenas vivo cada dia?

Sou daqueles que ainda acredita no olhar
E do que dele não se pode depreender,
Mas se sente
Entre dois conectados amantes.
Que se encantam pelas afinidades,
Temem pelas incompatibilidades
Mas sabem,
Lá no fundo,
Que juntos podem caminhar.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

MALDIZENDO O AMOR




Não sou capaz de compreender o amor!
Quando você se entrega,
Alguém lhe aponta, dedo em riste
Que o caminho escolhido não é o melhor que existe.

Não sou capaz de sentir o amor!
Mas, peraí? Se me entrego, não quer dizer que o sinta?
‘Mas claro que não!’, vão dizer,
Pois se entregar não é sinal de querer.

Não sou capaz de viver o amor!
Pois ele está por aí, acolá.
Ele se esconde, num gato-e-rato,
Uma brincadeira que não sou capaz de jogar.

AMOR, 
Cansei de você!
Não consigo te compreender!
Tão pouco te sentir,
Muito menos vive-lo!
Escravizo-me por você
E você, 'nem aí' comigo!

AMOR,
Te odeio!
Você não merece o melhor de mim!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

AMANTE DE MIM




Hoje eu me enamorei por mim
Troquei-me olhares
E comigo encantei-me
Sobre mim joguei minha melhor cantada
Meu charme
Amante de mim me tornei.


Hoje apaixonei-me por mim
Com tamanha sofreguidão,
Incapaz fui de resistir aos meus encantos
E pensar-me longe de mim.
Resolvi dar o passo certeiro
E, num movimento ligeiro,
Decidi comigo
Compromisso firmar.

Hoje eu noivei comigo
Apenas ficar não mais me satisfazia
Nem a mim
Precisavamos,
Eu e mim,
Mais sério nosso compromisso tornar.

Hoje eu casei comigo
Entre sorrisos e amigos
Juras e votos
Troquei comigo
E, coroado com grande brinde
Prometi mim nunca mais deixar.

Hoje morri comigo
Tamanha foi a tristeza
De não ter-me mais ao meu lado
O fim de uma vida inteira comigo
Eu não poderia suportar
Por isso fechei meus olhos nesta vida
Para comigo e algum lugar melhor me encontrar.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

AMORES, DESENCANTOS

Na feira de cada dia
Em cada história que nos é contada
Amores, desencantos
Detalhados!
Somos uno de duas partes,
E nada, solitários
Amores, desencantos
Por todo lado!
Minha dor, tua dor, tudo é dor!
Meu sofrimento em ti espelhado.
Amores, desencantos
Igualados!
Se lho amo, ele me ama?
Permaneça dúvida, pois a verdade é dura!
Amores, desencantos
Planejados!
Na morte, o derradeiro epílogo,
Daquilo que só Deus separa.
Amores, desencantos
Encerrados!